Faculdade
do Noroeste de Minas-FINOM
Resenha
Texto
extraído do livro BONITEZA DE UM SONHO. Ensinar- e- aprender com sentido – Moacir Gadotti. Apostila do
curso de pós-graduação Lato-sensu da Faculdade do Noroeste de Minas-FINOM-
Varzelândia-MG
Disciplina:
Metodologia do Ensino Superior
Professora:
Maria Caroline Ruas
Acadêmico:
Jonas Bispo Ramos
Boniteza de um Sonho. Ensinar-e-aprender com sentido
Livro
de autoria de Moacir Gadotti; nascido no município de Rodeio estado de Santa
Catarina no ano de 1941. Licenciado em Pedagogia e Filosofia e doutor em Ciências
da Educação pela Universidade de Genebra na suíça. Diretor do Instituto Paulo
Freire e professor titular da Universidade de São Paulo-USP.
Gadotti
relata que sua inspiração para a escrita desse livro vem de Paulo Freire,
especialmente do seu livro Pedagogia da Autonomia; onde o mesmo fala sobre a
“boniteza de ser gente”, da boniteza de ser professor, afirmando que ensinar e
aprender não pode se dar fora da boniteza da alegria.
Gadotti
lembra que Paulo Freire falava sobre o Sonho de muitos jovens nesse planeta que
sonhavam em ser professor e que um sonho sonhado por muitos passa a ser
realidade.
O
mesmo coloca que essa realidade passa a ser diferente ainda no curso de
magistério, pois muitos desistem do exercício da profissão por fatores
diversos, como a desvalorização do professor a começar pelos míseros salários
pagos aos mesmos o que representa uma face do descaso com a educação nesse
país. Gadotti responde a pergunta “Por que sou professor? O professor precisa
se conceber como um agente de transformação social, ele está não apenas
organizando conhecimentos ou acrescentando-os, mais está formando pessoas
enquanto ele mesmo se transforma nesse processo. Por isso o professor é imprescindível.
Segundo
Gadotti o professor não está morrendo ele está se transformando profundamente.
Isso é o que acontece em cada geração de professores, cada uma tem a sua
própria identidade no contexto em que vive. A função do magistério precisa ser
adequada ao seu tempo. No nosso contexto o professor precisa adequar-se para
ensinar no mundo globalizado e ser uma agente dessa globalização impedindo que
o sistema de dominação, opressão e exclusão prevaleça sobre a liberdade e
inclusão. A educação precisa emancipar as pessoas, e a profissão de ensinar tem
essa obrigação.
Fica
entendido no texto que a formação continuada do professor para o autor deve ser
concebida como reflexão, pesquisa, ação, descoberta, organização,
fundamentação, revisão e construção teórica. Não deve ser concebida como
aprendizagem de novas técnicas ou conhecimentos de inovações tecnológicas.
Sendo assim o professor deve valorizar o aprendizado de atitudes, hábitos e
valores que facilitarão a sua prática eliminando a ansiedade e angústia
produzida no exercício de sua função o que às vezes o faz perder a esperança
que outrora alimentou o seu sonho.
Para
Gadotti outra coisa importante é que a escola seja protagonista da sua inovação
e transformação, pois ninguém melhor para produzir um a mudança do que a
instituição e as pessoas diretamente envolvidas no processo de educação. Essa
pedagogia transformadora deve antes de tudo ser a pedagogia da esperança e da
possibilidade.
O
autor afirma que na sociedade aprendente o professor precisa continuar sua
formação ao longo de toda a vida e adquirir os quatro saberes: “ser, aprender,
conviver, fazer”. Mas precisa saber porque está ensinando e o que está
ensinando bem como para que está ensinando.
O
que aprendemos tem que ter significado para nós, se não tiver não aprendemos,
então o que se ensina precisa ter significado para o discente. As coisas passam
a ter significado quando deixam de ser indiferente, o sentido do conhecimento
vem com a finalidade que ele tem para o corpo, aprender por aprender é
estupidez. É preciso aprender com emoção e ensinar com alegria.
Para
Gadotti todo professor é por função um educador. O professor não pode ser
neutro, alienado das questões sociais. Ele é um intelectual, um líder, um
formador de opinião, um agente de transformação social. O professor emancipado
está diretamente relacionado com as classes populares, a favor dos que
necessitam de educação. Na visão do professor Celso Santos Vasconcelos citado
pelos autores seria um contra-senso pensar que a classe dominante se disponha a
oferecer um ensino popular de qualidade, isto é, que desvende as formas atuais
de organização social de classes dominadoras e dominadas. “Não é possível fazer
uma escola para todos dentro de uma sociedade para alguns”.
Concluindo
Gadotti reforça a visão de Paulo Freire que trabalha no seu último livro a
ética e a estética do ser professor. O que ele deve saber para ser professor e
como ele deve ser para ser professor. Paulo Freire sonhava com uma sociedade de
todos e para todos. Segundo o mesmo a educação pode dar um passo nessa direção
dotando os seres de “generosidade epistemológica”, um pluralismo de idéias e
concepções que se constitui na grande riqueza de saberes e conhecimento da
humanidade. Não se pode ignorar a estrutura caótica imposta pelo capitalismo às
redes e sistema de ensino, é preciso por causa de isso reacender o sonho de ser
professor com sentido, não ficando somente no campo da resistência, mas da ação
transformadora, é preciso combater esse estado de coisas.
O
educador não precisa abandonar a educação para agir, mas deve agir em função da
boniteza do seu sonho, de um projeto de vida, de escola, de mundo possível, de
esperança.
O
professor torna-se imortal naqueles a quem ensina.
“ ...Os que a
muitos ensinam a justiça, refulgirão como as estrelas, sempre e eternamente”
Daniel 12.3- Bíblia Sagrada
Faculdade do Noroeste de Minas-FINOM
Junho/2012
Jonas Bispo RamosBacharel em Teologia.
Graduando em pedagogia.
Pós em docência do Ensino superior.